Olá gentem, estava aguardando o término de um dos filmes que gostaria de colocar em pauta hoje, serão dois: Cisne Negro e Bonequinha de Luxo. O primeiro, totalmente atual e que está influenciando desde sua estréia o estilo, comportamento, a procura do balé nos estúdios (tema principal) entre outras coisas que quero dissecar aqui. O segundo, um filme de 50 anos atrás que até hoje é moda! Então para falar dele, precisava assistí-lo e posso dizer uma sinceridade? Me impressionou muito, continua mais atual do que nunca! Então, vamos embarcar nestas aventuras?
Assistí Cisne Negro há alguns dias atrás de madrugada, ví e sentí uma Natalie Portman totalmente frágil, transfigurando-se, transtornando-se, perturbando-se ao longo do filme. A princípio já se percebia uma certa menção de bulimia (pelo menos eu entendí assim), todas as pertubações e alucinações causadas pela extrema necessidade de PERFEIÇÃO. Escreví com maíscula para que percebam como isso é comum entre nós seres humanos fora das telas de cinema (lá dentro deve ser um verdadeiro inferno escaldante com as comparações, fofocas, manter-se eternamente jovem, concorrência, etc). Fazemos tudo tão automaticamente que não percebemos o quanto estamos tomados pela necessidade de aceitação...dos OUTROS! Novamente explico as maísculas: na maior parte das vezes, se não dizer 99,9% delas, tentamos provar aos outros, esperar dos outros tudo que possa nos fazer feliz. Voltando ao filme Nina que é a bailarina doente para aperfeiçar o que é sua grande paixão, o balé e sem notar vai destruindo e transformando sua vida ao longo da trama, e vai se tornando mais doentio quando decide ser a Rainha dos Cisnes. Um adendo meu: nada pode ser realmente mudado e transformado se algumas convicções não forem destruídas e foi isso que ví no filme o maravilhoooooso Vincent Cassel (Thomas, o mentor e coreógrafo do Lago dos Cisnes), foi o fator principal para provocar Nina a tal ponto que ela começou a desabrochar para sentimentos que antes não se permitia como a sexualidade reprimida (vamos combinar pessoal, a mãe sentada na cadeira no quarto dela, entrando e saindo sem pedir licença e sem nenhuma privacidade para nada na vida, não tinha como ela ser diferente, em uma cena de masturbação menos ainda).
O tema de hoje iria abordar mais a beleza que o filme transpõe de tal maneira que influenciou a moda ao redor do mundo nas coleções de estilistas e marcas famosas globalmente falando, mas o comportamento foi uma coisa que me chamou muito a atenção porque o conjunto da obra ficou magnífico, mas o figurino pra mim com tamanha consistência da história e seu desenrolar ficou em segundo plano, mas vamos lá.
Acredito que por ser um filme forte, que aborda vários assuntos dos bastidores do balé, assim como os bastidores da nossa vida real foi tão denso que foi transportado para a moda. Ao observar balé temos a sensação de leveza, graciosidade, glamour, perfeição, isto até onde os espectadores conseguem enxergar e, para os bailarinos, é pura paixão que os move, entendí que a dor é uma companheira constante mas não influencia na graça que deve haver no espetáculo!
Vejo hoje rendas, voal, que ficou mais evidente com o filme, sapatilhas diversas, coques, maquiagens leves (Nina usou maquiagem mais sensual para convencer Thomas a dar o papel a ela e usou maquiagem artística própria para interpretar o Cisne Branco e depois o Negro). É o show de uma mente obstinada, que acima de tudo não está somente representando e treinando para fazer com perfeição os dois cisnes, mais que isso! Serviu realmente para que a personagem incorporasse o que ela era de verdade mas reprimia, ou que ela tinha capacidade de fazer mas sua auto-estima (e sua mãe castradora) não deixava e se sentia sempre culpada por tudo que acontecia a sua volta.
Bom, eu fiquei realmente confusa em algumas alucinações de Nina, era eu quem não estava entendendo bem ou o filme realmente tem o poder de mexer com a nossa mente?
A mudança foi tamanha que eu maravilhada ví no que ela se transformava aos poucos, no próprio cisne negro que ela não conseguia fazer com a perfeição que gostaria, notem: incorporar aquilo que realmente devemos fazer com liberdade, com amor, paixão, gosto, é se transformar naquilo!
Falei taaanto de Cisne Negro e agora é a vez de um filme que já é cinquentinha: Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany's, título original). Sim, ele é de 1961 escrito anteriormente por Truman Capote a história foi ligeiramente modificada para as telas de cinema. Poxa, eu tinha curisidade em assistir, tudo que vejo nas revistas há alguma menção de Bonequinha, seja no estilo, seja na maquiagem. Mas nunca tinha visto uma história que já faz 50 anos me prender tanto por haver temas tão atuais e pela personagem de Audrey Hepburn (Holly).
Holly é daquelas moças que chama a atenção de todos, pela sua beleza - a usava para conseguir o que queria e sempre conseguia, pelos seus sonhos (ela sonhava com a famosa joalheria Tiffany's, boba ela né?), e linda em pleno 1961! Vestidos pretos ficaram imortalizados pela bela e magra Holly, desenhados pelo estilista francês Hubert Givenchy ao verem trenham uma atenção especial aos acessórios usados por ela, creio que eram jóias né bem não bijoux, mas o que vale é a inspiração. Adorei a maquiagem que mesmo após acordar estava impecável, o delineador e creio que cílios postiços também foram utilizados para destacar e realçar o olhar e consequentemente tornar mais expressivas as interpretações, combinado com o look chique, o batom discreto, o cabelo que é copiado até hoje mais alto em cima (hoje faz-se escova, desfia, passa spray, etc, etc...pensei: nossa eles foram inteligentes em pensarem nesse cabelo há 5 décadas atrás rsrs).
A história também me deixou pensativa, Holly era garota de programa, mas sua imagem não foi marginalizada, pelo contrário é cultuada até hoje! Realmente Capote foi feliz em escrever o livro e mais feliz quem resolveu adaptar para as telonas. Holly tinha grandes sonhos como todos e não se deixava abater em nenhum momento, ao contrário era um imã principalmente para os homens pela sua espontaneidade, alegria, sorriso sempre aberto e resolução para todos os problemas, conseguia sempre o que queria e estava sempre tudo muito bem, obrigada. Alguém aí sentiu que ela pode ser uma grande personagem para mudar dentro de nós mesmas? Ser vítima não resolve absolutamente nada e o grande exemplo dessa personagem para mim é esse, ela tinha tudo pra ser infeliz como tantas coitadinhas de nós que choramos somente porque "ele" não ligou...snif...peraí que vou pegar meu lencinho é muito drama para um assunto. Aaah acabou, joguei os meus fora, estou aprendendo mas ser vítima não resolve situação de ninguém, e pena é pra galinha, etc ok?
Se repararem bem no filme ela parece que foi colocada lá hoje, diferente das outras personagens que parecem sim dos anos 60, e Audrey não! Isso é incrível, parece que ela está em outra dimensão não sei explicar...
Bem pessoal, por hoje é só...uma recomendação, quem não assistiu, assistam os dois! Quem gosta do mundo da moda, maquiagem, comportamento, beleza, são clássicos que influenciaram épocas. Cisne Negro é novo, mas podemos ver nas passarelas o poder que ele teve, Bonequinha de luxo nem se fala, aniversariando cinquentão e continua mais atual que nunca. Existem também filmes fabulosos, como Diabo Veste Prada (adoooogooooooooo), mas entra bem no assunto e mostra realmente o outro lado do mundo da moda e da beleza e como é por trás do glamour...os outros são belos, tão belos que se tornaram tão consistentes que aí estão para deleite da galera.
Vamos lá, peguem seu tubinho preto (pode ser algum com detalhe em renda), seu delineador, faça um coque despretensioso, sua sapatilha, seu batom boca, nude, vermelho o melhor dos dias atuais é que não há ditadura tem que combinar com você e comece colocando em prática a sua auto-estima...o assunto em pauta aqui não são os filmes em sí (percebí isso agora) e sim você! Isso mesmo, não perceberam que algo aqui neste texto tocou em algum assunto que precisa fazer ou mudar? Nada é por acaso não é mesmo? rsrs
Ah e respondendo a pergunta láaaaaaa do título: porque no fundo todo mundo sabe de muitas dessas coisas, mas estão escondidas dentro delas mesmas. Expondo em filmes, fica mais fácil do chamado da alma aflorar e dizer, ei tá na hora de fazer alguma coisa! Nem que seja começar a usar um batonzinho ou ir ao terapeuta para se entender melhor, porque beleza é a consequência do se sentir bem.
beijokasssssssss
